E ao tempo que publiquei o último episódio degradante desta rubrica?
Vamos todos fingir que não foi em Agosto do ano passado e vamos prosseguir com normalidade.
O que vos vou contar teve muito mais piada ao vivo - acreditem em mim que nunca vos minto - mas vocês fecham os olhos - não enquanto leem, senão não dá - e tentam visualizar isto.
Há um bom tempo abandonaram aqui perto uma cadela bastante feia e raquítica - como lhe passamos a dar comer deixou de ser raquítica para ser só feia.
A Nita - como a apelidamos - teve três bebés. Todos muito lindos e fofinhos e queridos e maravilhosos, dos quais tomamos conta até terem dono.
Acompanharam tudo até aqui?
Então imaginem esses cães esfomeados.
E a Nita a ter um ataque de euforia e do nada, lembrar-se de ir correr para o meio da estrada, assim louca, e ser perseguida pelas crias desorientadas e aos guinchos!
Agora imaginem-me a mim de pijama lilás, com um casaco velho e rançoso, sem sutiã, com o cabelo todo oleoso e despenteado e como piéce de résistance, com uns chinelos com padrão vaca rosa, a chamá-la aos berros pela estrada fora, enquanto uma plateia de vizinhos assitia em primeiro balcão.
Para relatos anteriores, é favor clicar AQUI.
Hoje trago-vos uma edição especial, dedicada a vários episódios em que o protagonista principal foi uma peça de roupa, afinal, isto é um blog de gaja, não é?
1.
Fui para a escola com a camisola do avesso.
Só reparei quando cheguei a casa.
2.
Quando andava no secundário - e na universidade também - tinha o estranho hábito de me atrasar, e, como tal resolvi ir de bicicleta até perto da paragem de autocarro para não ficar em terra.
Durante o caminho, a minha saia comprida prendeu-se na roda. Tirei-a e acabei o resto do percurso.
Fui para a paragem, normalmente.
Esperei o autocarro, normalmente.
Saí na escola, normalmente.
Entretanto - após já me ter cruzado com mais pessoas do que desejaria - uma amiga minha diz-me o seguinte:
- Tens a saia rasgada atrás!
E eu olho, e vejo, sem exageros, um rasgo horizontal de 50cm.
Tive aulas o dia inteiro.
3.
Também no secundário, um belo dia, fui para a escola com um colete novo muito giro.
Fui carregar o telemóvel a uma loja, fui comprar gomas, andei, novamente, no meio de um maralhal de gente até que fui ter com duas amigas minhas, e quando vou a passar à frente delas, sou informada pelas mesmas de que tenho a etiqueta - aquela de cartão grande com o nome da loja - de fora da roupa.
A minha vida é triste.
Então, pensavam que me tinha esquecido desta fantástica rubrica mensal? Jamais! - por acaso esqueci, mas como podem comprovar lembrei-me a tempo. Para relatos anteriores é só clicar AQUI.
Há uns anos desloquei-me com uns familiares a umas piscinas muito famosas aqui na zona. Estava um daqueles dias de Verão lindos e maravilhosos, e eu, na minha ingenuidade, achei que seria um dia normal e fantástico.
Nesse fatídico dia, estava a usar um bikini que me era largo - lembrem-se deste ponto.
Estava eu já dentro de água quando olho para um rebordo que a piscina tem e tenho uma ideia genial!
E é aqui que eu vos deixo um conselho. Meus queridos seguidores, se tiverem uma ideia de fácil execução mas nunca viram ninguém pô-la em prática antes de vós, é porque secalhar - secalhar! - a ideia não é assim tão genial.
Ora bem, eu olho para aquilo e penso: 'e se eu prendesse ali os pés, e ficasse a boiar de barriga para cima?'
Expectativa:
Ficar a boiar de barriga para cima, relaxada, no mesmo lugar.
Realidade:
Os pés de facto ficaram presos no rebordo, mas essa foi mesmo a única parte do meu plano que correu como previsto.
Fiquei toda submersa com excepção dos pés! Enfia-los lá foi fácil, mas quem é que os conseguia tirar?
Como a sensação de afogamento não é particularmente agradável, esperneei como se não houvesse amanhã e durante este processo de sobrevivência as cuecas do bikini deslocaram-se para todos os lados possíveis deixando a descoberto, para quem quisesse ver, sítios do meu corpo onde o sol não brilha.
E o que fez a tua família enquanto lutavas pela vida com o pipi de fora, Mel? - perguntam vocês.
Riu-se.
Depois da vossa enorme curiosidade - mórbida ? - em saber mais miséria sobre minha pessoa cá estou eu novamente.
Além de me humilhar publicamente também dou por mim metida em situações peculiares e atraio pessoas estranhas, sendo o relato de hoje sobre uma dessas situações.
Podem ver o primeiro post desta rubrica AQUI.
Há uns anos compareci a um festival de metal de carácter duvidoso. As minhas expectativas não eram grandes, mas mesmo assim - mesmo assim! - fui surpreendida.
Local: CAVE de uma sede de terriola, toda ela - tecto incluído - de dimensões bastante reduzidas.
Banda 1
Aquilo começou logo com os padrões elevadíssimos.
A vocalista tinha-se claramente maquilhado às escuras. E vestido também.
Mas o pior era a voz! A voz era completamente intolerável, monocórdica, estridente e não se percebia um pum!
A meio vim a rua porque estava a sangrar dos ouvidos.
Banda 2
Banda espanhola.
O espanhol vocalista, mais bêbado que uma pipa, não cantava sequer, limitando-se a andar de um lado para o outro do palco, ao mesmo tempo que os restantes membros da banda lhe mandavam lasers com os olhos.
Mas como o espanhol vocalista era uma estrela, a meio da sua dança exótica arranca o cabo do microfone, tropeçando de seguida nele, estatelando-se no chão e ficando para lá a patinar até parte do público ir em seu auxílio.
Acaba-se o concerto, e onde é que o espanhol vocalista se decide sentar? Ao meu lado, claro!
O cheiro a vinho era divinal, e depois começou para lá a murmurar umas coisas imperceptíveis, até que o resto da banda reparou e foi lá acabar com o meu suplício.
Foram todos para a rua onde o baixista se passa e dá alte supapo na testa do espanhol vocalista e este cai tal carapau seco ao chão.
Acho que assisti ao fim de uma banda.
Banda 3
A melhor.
A informação inicial é a de que o vocalista francês havia estado preso por tráfico de armas.
Promissor!
Não tinham baterista.
Mais promissor ainda!
O concerto inicia-se e reparo, que de cada lado do palco, espetadas em paus estão nada mais nada menos que...DUAS...CABEÇAS...DE PORCO!
A música era tão boa que entretanto resolvi ir para a rua. Nisto chega um colega meu e diz o seguinte:
'Eish não se pode estar lá em baixo. O vocalista deitou sangue de porco em cima dele e é um cheiro a podre que não se pode.'
E foi isto.
Há uns tempos comentei por aqui que era uma pessoa extremamente desastrada e distraída. Geralmente quando digo estas coisas as pessoas tendem a pensar que estou a exagerar, que nem sou assim tão distraída, que nem me acontece nada de especial. Então resolvi partilhar com vocês alguns dos episódios que corroboram o que digo.
Há uns bons anos estava a passear com uma amiga minha quando nos deparámos com um qualquer roedor que não conseguimos identificar, mas que achámos imediatamente muito bonito.
Com um pelo tão macio e brilhante, sedoso até, concluímos que só se poderia tratar de um animal doméstico, daqueles que se compram em lojas de animais, quiçá fugido do seu lar.
Oh e o focinho? Tinha um ar tão amigável!
Telefonei ao meu irmão expondo-lhe o problema. Continuámos a acariciar aquele belo e meigo animal até à chegada do meu irmão, que até trouxe uma gaiola para que pudéssemos levar o fantástico animal que lhe descrevi por telefone.
Nisto, o meu irmão acerca-se do animal e, calmamente, profere as seguintes palavras:
- É uma ratazana.
Ao que eu e a minha amiga reagimos com a seguinte expressão facial:
Não totalmente convencida, ainda pergunto:
- Mas tens a certeza?
- Sim. E foi envenenada, por isso é que está tão 'meiga'.
Saliento que não tenho problemas com roedores de espécie alguma, até a ratazanas domésticas acho piada. Tenho sim um problema com ratazanas selvagens com mais doenças que aquelas existentes no rio Ganges.
E com isto me estreei. Digam-me de vossa justiça, se gostaram ou não, se querem que conte mais ou me cale para sempre.